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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

O príncipe pintor

Há muito muito tempo, o Planeta Terra era um único país.

Quem governava o País da Terra era o rei Chatinho.

O rei Chatinho não tinha graça alguma, era enfadonho e mal humorado. Não sabia sorrir, cantar ou dançar. Era aquilo a que se chama um sensaborão. Porém, tinha casado com uma rainha muito simpática e divertida. A rainha D. Gracinha. Com ela teve dois filhos: o príncipe Dinis e o príncipe Gustavo. O primeiro, tinha herdado a natureza alegre e expansiva da mãe e o segundo, o carácter sombrio do pai.

O rei Chatinho era tão chato que até conseguiu transformar D. Gracinha numa senhora com menos piada, com o passar dos anos.

Uma vez, o rei Chatinho só para aborrecer o povo mandou pintar o mundo de cinzento. As pessoas ficaram muito tristes por não verem quaisquer cores, apenas as dos seus cabelos, olhos e peles. Até a roupa que usavam era cinzenta, tal como o céu, o sol, a lua, o mar, a terra, as árvores e os animais.

Assim, acordar todos os dias passou a ser um tédio.

Os meninos e as meninas não tinham vontade de ir à rua, à escola ou ao jardim, pois era tudo igual, tudo cinzento.

Os mais velhos não tinham ânimo para trabalhar.

Os casais jovens não queriam ter filhos, para que esses não viessem também a sofrer com aquele cinzento todo. O mundo iria ficar despovoado nos séculos seguintes e o equilíbrio da humanidade entraria em crise. Apenas sobreviveriam os chatos, como o rei Chatinho, e o mundo seria uma grande chatice. Era para esse futuro que o País da Terra caminhava a passos largos.

O príncipe Dinis também estava a transformar-se num jovem apagado, sem paixão.

Um dia o rei Chatinho não acordou. Viajou, em sonho, até ao seu céu cinzento, sem mais regressar.

O príncipe Dinis, por ser o mais velho, subiu ao trono, passando a ser o rei do País da Terra. Afinal, em qualquer monarquia é sempre o príncipe primogénito a ocupar o cargo de soberano (salvo raras excepções).

Ora, logo no seu primeiro dia como rei, D. Dinis não sabia o que fazer, como reinar. Via o seu povo muito triste e parecia não encontrar solução para pôr fim a tal sentimento. Sentou-se nos jardins do seu cinzento castelo, visivelmente angustiado, até que de repente, não se sabendo como ou de onde, uma bela fadinha surgiu e lhe sugeriu que pedisse um desejo. Foi então, que uma grande ideia assaltou o pensamento do rei.

D. Dinis pediu-lhe que lhe concedesse poder para pintar de novo o mundo. A fadinha sorriu, feliz, baixou a sua varinha de condão sobre a cabeça do jovem e disse: - Concedo-te, então, o teu desejo. Nessa altura, muitas estrelinhas (ainda cinzentas) se soltaram da varinha mágica.

O novo rei ansiava colorir, com o máximo de cores possível, o País da Terra, por forma a que as pessoas reavessem   a alegria de viver. Como se D. Dinis não tivesse percebido bem que já o podia fazer, a fadinha bondosa disse-lhe que o fizesse já naquele momento. D. Dinis podia pintar o mundo a seu gosto. Que alegria!

O novo rei demorou precisamente sete dias para colorir toda a Terra.

Terminou essa tarefa muito cansado mas, também, muito feliz.

Assim, D. Dinis pintou o mundo com as cores do arco-íris.

O céu e o mar adquiriram bonitos tons de azul, a terra foi pincelada de castanho, a areia de amarelo e a neve de branco. Para a relva e para as folhas das árvores escolheu verde e para os troncos das mesmas castanho. Às flores deu-lhes todas as cores da paleta de um verdadeiro pintor. Pintou o sol de amarelo, a lua de branco, os telhados das casas de vermelho, os rios e os lagos de azul, a lava dos vulcões de cor-de-laranja...

Os animais também foram contemplados: a cegonha vestiu-se de branco, o leão de dourado, o flamingo de rosa, a pantera de preto, o esquilo de castanho, o papagaio de diversas cores. Todos os bichinhos da Terra ficaram mais bonitos com excepção para o rato e para o elefante. O rato estava escondido num buraquito qualquer e o rei não o viu. Quando chegou a vez de pintar o elefante, D. Dinis já estava quase sem tinta e o animal era muito grande!

Os meninos e as meninas ganharam roupas novas, azuis e cor-de-rosa, e lápis de cores para fazerem desenhos coloridos. Desenhos alegres, que representassem o mundo em que passaram a viver. Até a fadinha foi presenteada com um vestido rosa e as estrelinhas que iriam sair da sua varinha de condão seriam douradas!

Nada escapou ao pincel de D. Dinis... a não ser o rato e o elefante, é claro!

Os adultos passaram a sorrir mais vezes. A vida ganhou outra cor!

 

Conto escrito e ilustrado por Sara V. (do meu livrinho "Duas Mãos Cheias de Histórias")

Dedico aos meus três filhotes

Fantasia sonhada por Sara V. às 10:01
link do post | Fantasie | Quero fantasia na minha vida
2 comentários:
De Mamã Gansa a 7 de Março de 2008 às 22:40
A Babá adorou!
De Sara V. a 9 de Março de 2008 às 00:52
Obrigado!

Obrigado, Bá!!!!!

Beijocas

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